O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em demais estragam o gosto.
O ímpeto das paixões perturba o coração.
A cobiça do impossível destrói a ética.
Por isso, o sábio em sua alma
Determina a medida de cada coisa.
Todas as coisas visíveis lhe são apenas
Setas que apontam para o Invisível.
(Tao-Te King, Lao-Tsé)
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
MINICONTO 1
Laurinha fechou a mão como se carregasse um troféu, mas lá dentro só havia três pequenos alfinetes. Só.
Jane C.Z.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
TUA PORÇÃO MULHER
(para Chico Buarque)
Há tantas mulheres
dentro de ti,
tão diversas...
Mulheres que habitam
teu interno mais profundo
Mulheres que não mostras
para todo o mundo
Algumas até te causam
vergonha por existir
Mulheres que escondes
debaixo de máscaras,
em véus de seda,
em mantos de espanto,
quando se revelam,
para teu próprio encanto
Sábias mulheres
Tua melhor porção
Mágica feminina
que aflora e se expõe
em graves silêncios,
em tardes mornas
sob lençóis macios
em noites de amor
Então se dá
encontro tão esperado,
quando em nossa cama,
lado a lado,
homem e mulher,
em cada porção,
se desnudam
Ânima e ânimus
que se revelam
nesse instante sublime
Tua mulher resguardada,
em notas sutis e brilhos,
se revela
à minha porção contrária
que a enlaça em terno abraço
Somos um...
Homem-mulher,
ânima- ânimus
no amor que a tudo permite
e em tudo se enleva.
Ianê Mello
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
TRIO EM PORTO SEGURO
Da antiga árvore
em frente a igreja de São Benedito,
na cidade alta lá em Porto Seguro,
daquele velho banco sob ela,
apreciei vários alvoreceres
e várias luas cheias prateando o mar
nas lânguidas noites de verão.
Pássaros cantavam ao arrebol
colorindo os verdes galhos,
gorjeando suas notas melodiosas
aos meus ouvidos sempre atentos
enquanto meus olhos acompanhavam
o leve planar de folhas ao vento.
Ah, doces recordações
de minha querida infância
quando ainda pura criança
tudo aos meus olhos encantava!
A saudade nos braços da brisa
Porto Seguro em que estava
Beleza de não ter fim
No início da noite a reza
Devotos em azul e branco
Na igrejinha da meninice
O gramado em que se corria
De pés descalços e alma pura
Um dia inteiro para brincar.
Carmem Santos, Ianê Mello e Beto Palaio
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