O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




domingo, 28 de fevereiro de 2010

Olhares

















Agora estás exposta
aos olhos do mundo
Já foram flagrados
teus amores secretos
E a noite devorou
teus mil segredos
Todos teus desejos
São rasos conhecidos
Dá adeus, despede-te !
Dos encontros clandestinos
Caíste nas lentes
do olho indiscreto
Agora estás nua
no centro do maior teatro
Partiu o espelho
em que te vias invisível
Na enorme platéia
só há olhos cretinos
E tua vida é o espetáculo
desta vil exibição
Logo tu que julgavas
o olhar como previsível
Não acreditavas
nos espiões escondidos
Agora partiu o cristal
O vento sacode os panos
aos olhos do mundo

Ivan Cezar



Diálogo Poético - Colaboradores:Ivan Cezar

O Jardim da Morte

A Morte estava em seu imenso jardim a podar algumas roseiras, a aparar alguns arbustos, a arrancar alguns matinhos, quando, bem ao alto da imensa estufa de jardinagem, veio o som do alto-falante a chamar-lhe para atender a uma ocorrência. É que ela sempre estava de plantão; vivia de plantão. Como em todas as vezes, o chamado era urgente. Ela já sabia que aquilo ocorreria, estava de sobreaviso, e sua experiência profissional lhe permitia prever com certa antecedência o momento em que um cliente precisaria de seus serviços. Partiu veloz, passou por toda parentela que se encontrava à porta do quarto hospitalar do pobre ancião agonizante. Colocou-se lado a lado com os que se encontravam junto do velho, à beira do leito. Alguns a sentiram romper ao passar. Sentiram uma espécie calafrio que percorrera num segundo dos pés à cabeça, ou vice-versa; outros dizem ter sentido algo estranho, como um mau presságio, uma coisa ruim ou algo assim. O fato é que ela veio. Se demorou-se a chegar, se chegou rápido demais, nada disso tinha relevância. Na exata hora em que era para ela estar ali, ali ela estava. Nem uma fração mínima de segundo fora do que estava previsto no grande livro da vida. Ao chegar deparou-se com o ancião a lutar intensamente para deixar as dependências da carne. Era uma gemência sem pausa, uma respiração dificílima, agônica. Fadigado de tanto tentar desgarrar-se da aparência que conhecia por ser seu ser, sentiu enorme alívio ao ver a conceituada e infalível profissional do ramo que havia chegado.
Ao aproximar-se do homem ela lhe tocou nas feridas interiores com sua vasta experiência; coisa acumulada desde o primeiro protozoário que partiu, até o presente momento em que se encontrava ali naquele quarto de hospital. Arrancou o pobre homem de sua carcaça como quem retira uma carta de um envelope. Pediu-lhe que aguardasse num canto do quarto que as outras providências já estavam encaminhadas e partiu. Retornou para o seu jardim. Mas é claro que o sabor da manhã já havia mudado devido à interrupção do desfrute daquele dia ensolarado. Dizia ela, em sua intimidade, que as manhãs são como o café, se não são tomadas todas de uma vez ,do início ao fim, elas ficam frias e perdem o aroma e o sabor. Pensando dessa maneira, é claro que não era uma senhora muito bem humorada com seu ofício, de bem com a Vida por assim dizer, ela continuou suas podas.
*
Obs. Este texto foi originalmente produzido e postado por mim, em meu blog (http://jefhcardoso.blogspot.com), no dia 17.01.09. Achei que seria válido retomar a idéia, e numa releitura acabei reeditando e modificando algumas coisas (inclusive o título) que fizeram toda diferença para mim. Aos que leram o original eu espero que o apreciem nesta reedição, e aos que não leram espero que gostem como eu gostei.

Espírito da vida

                                                            Pintado por: Bravo




Sirva-se de um copo
E beba
Saboreie a dor
Do ser
Cuja memória
Não se apaga
Num futuro distante.
Na sombra
Que se esvanece
Na pura luz
Nasce
O espírito da vida.


Bravo



Diálogos Poéticos - Colaboradores: Bravo

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Doce Amargor


Pintura de Adolfo Payés "Bordegón- Natureza Morta"



O que parece doce
amargo pode ser
pois se estranho fosse
não nos enganaríamos sem querer

A fruta que parecia apetitosa
de tão vermelha e madura
Ao mordê-la mostrou-se rugosa
e ao invés de macia, dura

Assim  as pessoas podem ser
Por fora uma doçura sem fim
mas ao por dentro se remexer
encontra-se tamanho azedume
que só se revela no fim
e fica-nos o queixume.



Ianê Mello




Diálogo Poético - Colaboradores: Adolfo Payés( com sua arte), Ianê Mello

 
http://adolfopayespinturas.blogspot.com

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cascata de Luz









Diálogo Poético - Colaboradores : Machado de Carlos



Um Pouco de Ti...
















Um dia eu existi
em tua mente
e em teu coração.

quando me deixou
pensei que morreria
tamanha foi minha dor...

Mas sobrevivi...

E ainda hoje
No meu coração
Um pouco de ti
Bate suavemente em mim...




Maria Bonfá




Tu, qual folha ao vento,
Fugiste de mim.
E eu, entre fome e dores,
Sofrendo, te perdi.
.
Inclino-me sobre o tempo
À procura de ti.
Delgada linha que, como a lua,
Carregas no cintura
O amor que perdi.
.
E se me brota a esperança
Diminuta e nua,
Vem logo gritos da rua,
Dizendo-me que não chegarás a mim.
.
Tu, que em mim ficaste,
Alojado e sereno,
A me perseguir.
Tu... parte, quase inteira, de mim.


Lice Soares



Tiraste de mim
todo sangue
deixaste em mim
toda dor
de febre estanque
e torpor
Cantaste a mim
todo réquiem
sonoro lamento
em dó perpétuo maior
visceral tormento
pingente suor
puro elemento
perto de mim
longe de ti
meu atroz
teu algoz
sofrimento...


Joe Brazuca




Quantos homens eu amei
Por quantos eu fui amada?
Recordações que ficaram
Aprendizados de vida
Com cada qual fui feliz
Com cada qual também sofri
Hoje, o que guardo em mim
são boas e más lembranças
Algumas mais nítidas, outras nem tanto
Fotografias, cartões,
alguns ainda os tenho
É meu passado, minha vida
Não me envergonho do que vivi
O que me tornou o que hoje sou
Mais experiente, mais vivida
Não tão sonhadora e romântica
Sei separar a realidade do sonho
Não que isso me torne exatamente imune
pois sou apenas humana
Apenas sei me resguardar melhor às ilusões...




Ianê Mello






Diálogo Poético - Colaboradores: Maria Bonfa, Lice Soares, Joe Brazuca. Ianê Mello



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Hora da Partida







Respiro fundo,
falta me o ar
Vivo como quem corre sem alcançar
Fujo do instinto no oculto do altar
Ajoelho e rezo, mergulho nú.
Mar Rasgo minha roupa
e derrubo o tear
Vasta é a vereda,
seguir ou ficar
Facho de luz sob a água a pairar
A frente o mundo que encaro a nadar



Felipe Carriço


-------


Pode ser que na hora H eu desista
mas meus olhos me esconderão a verdade
O rosto coberto por fino tecido
como fina a tecitura de uma vida
Se meus olhos vislumbrassem o que estou a cometer
minha coragem se faria fraca
e meu arrependimento eterno
A água que envolve meu corpo,
fria como a morte que busco,
ao mesmo tempo acalenta essa dor
a dor de não poder mais Ser
O tempo me chegou...
essa é a hora
Preciso ir-me, sem mais demora
Da vida já sorvi o último gole
e o gosto era amargo como fel
Não lamentem minha partida
Foi bem pensada e sentida
O que da vida obtive foi o que pude
No mais, nada me ilude.


Ianê Mello


O leve tecido
que o rosto toma por veste
Não verga a luz da entrega
Que a alma há muito se reveste
Alçarei meu voo, em linha direta
A mesma paz que me deu à luz
Me recobrirá em outra festa.

Mirze Souza




Cavo a falha louca
calam-me a boca
calem minha voz
que em mãos
estraçalham
beijo, lume e vãos
prevejo pedras
mergulho medo
tombo infame, quedas
abismo pasmo
estampo marasmo
que outr’aventura
nunca haverá
mesmo
sob tortura
nada afinará
a formosura
d’um futuro
sortilégio
apuro egrégio...


Joe Brazuca


Tu sofres mulher
Tu não mais sofres mulher
Tu jamais deveras sofrida mulher
Tu deverias ter aceitado a vastidão do ser que é.
Cega e sufocada, porém duas rosas lhe brotam da mente emaranhada
Jefhcardoso

Diálogo Poético - Colaboradores: Felipe Carriço, Ianê Mello, Mirze Souza,Joebrazuca, Jefhcardoso
 



OBS:

Esta figura é uma fotografia baseada em Os Amantes, que Magritte pintou, segundo alguns especialistas em sua biografia, como forma de representação lúdica da morte da própria mãe, que se suicidou pulando em um rio e foi encontrada com uma camisa sobre o rosto.




terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Mulher - Natureza
















Dêem asas à imaginação...
O que lhes sugere essa pintura de Frida Kahlo?



Dentro de mim sempre algo renasce
como se em mim uma planta se criasse,
de raízes bem firmes e profundas
e seus galhos verdejantes,
pouco a pouco,
se revelassem,
saindo de meu corpo
e da natureza, mais e mais,
eu fizesse parte
Nessa junção mulher - natureza,
em perfeita harmonia e beleza,
do solo tiro meu sustento,
dele me alimento
e nele me revigoro
Os galhos são como braços
com que posso tocar a terra
Dela sentir seu calor, sua umidade
Mas a ele não me prendo,
não me fixo, pois sou móvel
Afinal não sou árvore,
sou humana e tenho pés para me locomover
As raízes estão em mim
e as desenvolvo com meu crescimento
e assim, em perfeita comunhão com a natureza,
dia a dia, com sua força e sabedoria eu aprendo



Ianê Mello



esparge a terra
que em vida, morro
vísceras do pó, encerra
brado árido
a pedir socorro
verme transpasso
cabeleira moita
átrio devasso
onde o barro
açoita
cálida planície
que provê de vento
olhar lânguido
de usura mesmice
ubre flácido
lento lamento
lento
vento, sopro
sem provimento...


Joe Brazuca




Diálogo poético - Colaboradores: Ianê Mello, JoeBrazuca

Nossa Soma

Apenas Um Soneto

Complexidade...





















Não deveria estar triste,
Mas de fato estou
Queria não ter ansiedade,
Mas estou ansiosa.


Desprezo a autopiedade,
Mas sinto-me fraca para abandoná-la.
Quero mover-me rapidamente,
Mas meus passos estão inertes.


Tinha o ideal de muito construir,
E a realidade só fez destruir.
Almejei tantas coisas
que se esvairam ao vento


Revolto-me contra a indiferença
que eu sinto ao meu redor
Uma chuva suave está caindo
Mas meu coração quer tempestade


Rejeito o mundo externo
E mergulho na minha intimidade.
Um jogo de realidade e ilusão,
A verdade lutando com a mentira.


E quem pode dizer
o que é certo ou errado?
e nessa confusão
de meus pensamentos
sinto-me extenuada


Por saber que somos medidos
pelo que temos
não por quem somos
essa é a moral do mundo


Maria Bonfá

Palavras...


Perguntaram-me sobre a palavra.
Tão complexa e poderosa
A palavra...
Não soube decifrar a palavra.
De todas as palavras
A Palavra, a que tudo diz,
A que expressa até mesmo o nada...
A Palavra.
.
Canso-me, às vezes, das palavras.
Vejo-as, diante de mim,
Em cada boca, em cada escrita,
nas manchetes de jornais.
Palavras...
Apenas palavras.
Estendem-se, por entre lábios,
A emergir
Palavras, palavras.
.
Às vezes, aconselham-me,
Enfim,
Às vezes, zombam , riem de mim,
Sussurram, tumultuam,
Palavras, só palavras, assim...
E, quando silenciosas, quietas,
Sinto-as, vindo a me agredir,
Saltitantes, irônicas, rancorosas,
Aqui, ali...
.
Mil e uma palavras
Mentirosas, enganosas,
Esvoaçam à nossa volta,
Sem sentido, sem rumo,
Apenas palavras a nos seguir.
.
No barulho de línguas incansáveis,
Em festas, a pularem... vendidas ou compradas,
Dadas ou tomadas... Palavras, sim.
E há os "donos" da palavra
E há os ouvintes das palavras,
A engoli-las,
E há palavras como mosquitos,
Sem finalidade, sem beleza,
Com beleza!
Palavras...
.
Porém, quando, nas trevas da noite,
Fugindo de tantas palavras,
Busco consolo, guarida, em quietude profunda,
Só a palavra Poesia
Fala de Amor, por fim.
Traz para minh'alma acalento,
Fazendo canção, em mim.


 
Lice Soares



Palavras expressam momentos,
podem expressar sentimentos
e até mesmo crenças e ideais
Palavras boas, palavras más
Boas quando bem ditas, sem ofensas
Más quando usadas somente para a discórdia
Palavras que muito exprimem
Palavras que nada dizem
Palavras cheias de interpretações,
que levam `a grandes discussões
Palavras vazias e vãs...

Mas o que são as palavras?
São mais um dos instrumentos que temos
para procuar um entendimento,
das idéias, da vida, do ser humano,
para nos comunicarmos
Palavras só são um engano
quando usadas para ferir,
como ponta de faca afiada
para ao outro atingir
Movidas por forte ego
Mas há momentos em que as palavras
não nos valem muito não
Mas vale um forte abraço
dado com amor e compaixão.


Ianê Mello

 
Diálogos Poéticos - Colaboradores: Lice Soares, Ianê Mello


 

SOBRE TENDENCIOSIDADE



SOBRE TENDENCIOSIDADE

Quanto a este ponto, antes mesmo de explanar coisa qualquer, eu pergunto: quantos livros, revistas, artigos de jornal, opiniões e teorias vocês já leram em que o objetivo não tenha sido convencer daquilo que ali se professava?! NENHUM! Quantas leituras já encontraram na vida que não precisassem passar pelo crivo de sua crítica pessoal, sob o risco de engolir equívocos e meias-verdades como se de algo de senso se tratasse?! NENHUMA! Quantas obras tiveram acesso a que se vissem obrigados, pela força da evidência, a aceitar e abraçar como verdade inconteste tudo o que nela continha?! NENHUMA! Ou será que não houve porção de TODAS AS QUE JÁ LERAM NA VIDA INTEIRA que julgassem pouco atinente ao senso ou que não parecesse a vocês de total solidez a ponto de abraçarem-na na íntegra?! – eu respondo: TODAS!

Difícil é haver concordância plena entre as idéias de dois seres humanos, que se dirá de não primarem pelo convencimento um do outro, quanto àquilo que sinceramente cada um julga estar certo.

Certa vez, encontrei com um amigo muito religioso (no sentido institucional do termo, de abraçar a uma religião institucionalizada e de forma total), o qual, percebendo "os rumos que andei tomando", tentava "conseguir-me a salvação". No começo fiquei irado. Discutimos muito. Mas o que pude perceber pouco depois, à medida que a conversa prosseguia, foi que aquilo era motivado por um desejo sincero de, segundo a sua visão e perspectiva, querer o bem de um amigo, de alguém a quem se prezava e a quem se queria o melhor – ainda que o melhor segundo sua concepção de melhor.

O que pergunto de verdade (sim, porque às demais perguntas acima pus respostas prontas talvez para atiçar) é o seguinte:

É POSSÍVEL ENCONTRAR SINCERIDADE E DESPRENDIMENTO NUM LIVRO, NUMA OBRA QUALQUER, NUM ARTIGO (AINDA QUE CIENTÍFICO), NUM DIÁLOGO ENTRE DUAS PESSOAS, OU HÁ SEMPRE NISSO UMA TENTATIVA DE CONVENCIMENTO VELADA - AINDA QUE MOVIDA PELO SINCERO DESEJO DE DESPERTAR O OUTRO PARA UMA VISÃO QUE JULGA BOA, PROMISSORA, MAIS AMPLA, MAIS ABERTA, MELHOR – MESMO QUE SEGUNDO O JULGAMENTO DE QUEM A FAÇA? E AINDA SE – NESTE CONTEXTO – PODEMOS CONDENAR LIVRO, OBRA OU AMIGO QUE NOS QUEIRA CONVENCER, QUANDO DAQUILO QUE NOS QUER CONVENCER É – SEGUNDO VEJA – PARA O NOSSO BEM?

Como diria um amigo meu, os livros de matemática são os mais tendenciosos do mundo, a simples discordância já faz pressupor daquele que discorda – de antemão – esteja errado, equivocado.

Pensemos.


FRANCISCO DE SOUSA VIEIRA FILHO

http://seth-hades.blogspot.com

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Lembranças



















Remexendo
em meus guardados
Encontrei lembranças
de nós dois
Memórias de um passado
intensamente vividos


Senti que por um instante
Minha alma saiu de mim
Tamanho o vazio que senti
Estou sem voce!...


São tantas recordações!...
Tantos sonhos
que não se realizaram
Em qual caminho nos perdemos?
Onde nos desencontramos?

A saudade é imensa
do amor que vivemos
e do que poderiamos ter vivido...


Ah! Meu amor!...
Eu queria ter bebido a vida contigo
até me embriagar..
Ter me perdido no seu amor
e o caminho de volta
não encontrar.

Voce meu cantinho
de ternura de acalanto
Meu beija-flor da minha flor
Amor meu que perdi pelo caminho


Maktub...


Maria Bonfá

Renascer

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Canção da Vida





Numa casinha escondida
a um canto do coração
lá a saudade mora
onde canta uma canção

Reviver tempos vividos
na beleza de outrora
Quisera poder relembrar
um pouco da minha história

Construída com muito zelo
por momentos bem vividos
e outros ainda por viver
pelo tempo corrompidos

Mas enquanto vida eu tiver
hei de cada instante viver
como se fora o único
pois o que se leva dessa vida
são os momentos que se pode obter


Ianê Mello




Diálogos Poéticos - Colaboradores: Ianê Mello

Impossivel esquecer...





















Você me fez acreditar que
Nada existe sem amor.
Vivi uma paixão
Que eu nunca pensei existir...


Mas eu não fui suficiente
Para você...
Você foi minha vida
Eu fui apenas
um capítulo da sua...



Queria tanto esquecer
A luz dos seus olhos
O tom de sua voz,
seu jeito de falar
Seu sorriso lindo

Mas não posso...
Esquecer-te
seria deixar de viver.

Tenho criado mundos
De fantasias
Para conseguir sobreviver
Mas não quero inventar
Mais nada...


Quero viver a intensidade do amor
Ter um encontro de peles
te tocar te sentir
Mesmo que seja
por breve instantes...


Quero e desejo o impossível:
Voltar a ter você!...


Maria Bonfá


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Solitude






























Machado de Carlos






Ah... a paixão o que faz
aos corações despedaçados pela saudade,
que nos mantem presos em celas que criamos
Sim, Florbela bem entendia dessa dor
Mas será esse sentimento  o amor?

A face que se guarda na lembrança
pode nem ser a mesma de outrora
O tempo passou e com ele a hora
de se livrar de lembranças já passadas

Não chore, meu amigo, não há nada
que possa retornar esses momentos
Guarde essa dor com sentimento
pelo amor que deve cultivar por si própio

Abra os olhos para o mundo
Há um universo de possibilidades
Não se perca em  dores e saudades
Olhe sua alma bem no fundo
e procure ser feliz de verdade.


Ianê Mello





Diálogos Poéticos - Colaboradores: Machado Carlos, Ianê Mello

Solidão



















Machado de Carlos







Entre o vinho e a espada existe o sangue
que pode ser derramado por justa causa,
talvez numa mesa de bar, numa briga entre ébrios,
como uma mera defesa... matar ou morrer
ou pela das mais injustas
num duelo de egos que se contrapõe,
por uma disputa vã, por uma febre terçã
O homem e sua febre de poder, de querer dominar
Mata e morre... sem pestanejar
A vida perde o sentido
quando o que vale é o título
reservado pela arrogância
de quem  se sente menor
É sangue no balcão do bar
ou a taça de vinho derramada?
A morte está à espreita
e a vida é pra ser cuidada
Afaste a espada das mãos,
a vida vale mais que isso,
que essa disputa insana
pra ver quem tem o ego maior
O que importa o ego, afinal,
no fim de tudo viramos pó!.

Ianê Mello





Diálogo Poético - Colaboradores: Machado de Carlos , Ianê Mello


O MEU PAÍS

 
O meu país
É um país gigante,
Com ares de menino,
que ri e brinca,
Mas, com medo de apanhar.
.
O meu país é um pássaro imenso,
Com asas verdes e amarelas...
Será o meu país
Um papagaio calado
Que não ensinaram a falar?
.
O meu país é tão bonito...
Mas, com gente sofrida, tão carente,
Com gente rica indiferente,
Com gente corrupta inconsciente...
.
Meu país precisa mudar!

Lice Soares
(...)



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ilusão...




















Vida que insiste
Em permanecer
Na sua,
Amor ainda quer ter o seu,

Coração que não aprende...
Vive a sonhar com o
Que se foi
Perde tanto tempo
Recordando e

Esquece que o tempo passa,
que cada dia é diferente
E nada tem volta

Por mais que
Lamentamos...
As coisas são
Como são.
..


Maria Bonfá


Diálogo Poético - Colaboradores: Maria Bonfá

...e o relâmpago bate na janela.



































*********************************


A Paz que a chuva traz



A chuva  que cai lá fora
Batendo delicadamente na vidraça
formando pequenas gotículas
O barulho da chuva me acalma
No ar, o cheiro de terra molhada
E o relógio a soar...
Tic-tac ...Tic-tac ... Tic-tac...
O tempo escoa suave,
como as gotas de chuva na janela,
deslizando numa carícia leve
O pensamento se esvazia e flutua
O corpo relaxa sem peso
O coração bate lento
Tudo que existe é o tic-tac do relógio
e o barulinho gostoso da chuva
A quietude se instala no ar,
na paz que habita meu ser
Sem tempo, sem hora, sem pressa
Apenas àquele momento de calmaria
que se eterniza nas horas
e a chuva que cai lá fora...


Ianê Mello





Diálogo Poético - Colaboradores: Machado de Carlos, Ianê Mello
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